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Caiu a máscara na intimidade - Colagem/Performance Fotográfica.

A @casa-clic em parceria com os grupos Malt - memória, arte e alteridade, Transver: estudos de fronteira entre comunicação, educação e arte; Coletivo 50 graus: pesquisa e prática fotográfica e Gesto - poéticas da Criação, todos vinculados a Universidade Federal do Tocantins (UFT), publicam o resultado da Convocatória 2020 Pausa na rede - expressões artísticas em tempos de quarentena. A publicação também está disponível no site da Revista Linha Mestra (ALB/Unicamp), parceria desta iniciativa. Organização: Renata Ferreira, Amanda leite, André Demarchi, Ricardo Malveira e Suiá Omim.

Reflexos é uma provocação no mês de agosto, um dos meses mais quentes do ano no estado
do Tocantins. O espelho propõe olhar as fotografias mais de uma vez, examiná-las,
estabelecer jogos entre as coisas, suspender o tempo e quiçá compartilhar a poesia. O reflexo não representa, arrisca. Quer lançar a paisagem de tons pastéis às margens de um lago. A personagem nos conduz para uma árvore. Observa os arredores. Vê o horizonte. Deseja a vastidão e o infinito. Oásis cristalino, profundo. É possível tomar o barulho dos ventos como inspiração? O ardor das queimadas como resistência? Miragens. Efeito óptico para além de um desvio de luz nos objetos. Sabor de água doce. Frescor. Dia ensolarado. No tempo de cada fotografia as coisas se transformam. Ar. Memória. Cheiro. Cada fotografia inaugura o lugar do olhar. Recorte sem final definitivo. Abertura. Leitura. Distorção. Deslocamento.

Uma pesquisa off-road está sempre fora da estrada pavimentada, prevista e segura. Deseja manter o contato com a natureza e com a vida mesma, é afirmativa, inventiva a medida em que  supera as dificuldades do caminho criando percursos que não estão dados para sentir adrenalina, velocidade e perigo. Menos interessada num juízo de valor sobre os modos de estudar do que na potência do deslocamento como modo de conhecer, retomo a leitura de Friedrich Nietzsche que provoca  em um dos fragmentos de Humano, Demasiado Humano que “Quem alcançou em alguma medida a liberdade da razão, não pode se sentir mais que um andarilho sobre a terra” (NIETZSCHE, 2005, p.271). Que estudo estaria implícito em uma pesquisa off-road?

A pesquisa é aqui potencializada a partir da força da dramatização (Deleuze, 2006) para pensar a escrita acadêmica como autoformação ativada por encenações que inventam espaços- tempos particulares, forças de produção da vida. O texto destaca um percurso metodológico que se dá por acontecimentos, cria cenas (dinamismos espaços-temporais) e estudos (ideias–força) propondo um paralelismo afetivo (Spinoza, 2012) que instaura um pensamento sobre pesquisa a partir dos “encontros”, capacidade de afetar e ser afetado, que levam ao que procuramos caracterizar como uma pesquisa dramática. O que pode a escrita da vida? Os dramas de uma pesquisa podem, assim, pensar a pesquisa como geradora de dados, ao invés de coleta de dados; pensando modos de se fazer, no lugar de moldes a serem reproduzidos.

A série fotográfica Lago é uma provocação ao mês de agosto, um dos meses mais quentes neste estado. O espelho propõe olhar as fotografias mais de uma vez, examiná-las, estabelecer jogos entre as coisas, suspender o tempo e quiçá compartilhar a poesia. O reflexo não representa, arrisca. Quer lançar a paisagem de tons pastéis às margens de um lago. A personagem nos conduz para uma árvore. Observa os arredores. Vê o horizonte. Deseja a vastidão e o infinito. Oásis cristalino, profundo. É possível tomar o barulho dos ventos como inspiração? O ardor das queimadas como resistência? Miragens. Efeito óptico para além de um desvio de luz nos objetos. Sabor de água doce. Frescor. Dia ensolarado. No tempo de cada fotografia as coisas se transformam. Ar. Memória. Cheiro. Lago de palha que flutua. Azul. Ilhas de tempo. Possíveis constelações de pensamentos, intensidades e sentidos.  Performance: Renata Ferreira / Fotografia: Amanda Leite

Aqui partilho, de forma figurada, uma poética  que re(vela) um treinamento cênico de experimentações dado por um véu que cobre o rosto.  Mostro figuras de véu nas quais improviso cenas em silêncio com o rosto coberto. Em seguida, implico as sensações do corpo ao conceito operativo de rostidade de Gilles Deleuze para, sensivelmente, desfazer esse rosto e encontrar outros modos de corpo em cena na relação com a mímica de Ettiénne Decroux.

A criação teatral compreende estudos sensíveis e resultados de processos que ativam o corpo em diferentes contextos criativos. Tomamos, aqui, contextos como campo de risco, surpresa, dúvida, medo, coragem e força, ou seja, marcas de intensidades que existem como modos de variação poética. Tocados por esta necessidade poética, sentimento alegre e afirmativo de aumento de potência de vida, este dossiê surge como gesto de escuta de diferentes ritmos, de pensamento em torno dos afetos que ações de ensino, pesquisa e extensão singularizam em suas táticas inventivas ao buscarem modos poéticos de se fazer o corpo na cena. Neste dossiê, organizo em parceria com Dr. Fernando Aleixo um desdobramento da pesquisa de Pós-Doutorado realizada na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). 

Um jogo de transposição entre palavra e corpo, explorando dimensões dramáticas do teatro/dança foi proposto numa oficina para professores no 21º Cole - (Congresso de Leitura), na Unicamp, em julho deste ano (2018). Este texto procura, portanto, pensar o jogo entre a percepção corporal, e o devir natureza da palavra a partir do trabalho de identificação com dinâmicas de emoções que elementos da natureza como água, terra, fogo e ar nos proporcionam. Colocamo-nos o desafio de não pensar em termos de uma particularidade separada da natureza, explorando o jogo de sentidos com exercícios mimodinâmicos, a partir da metodologia de transposições de Jacques Lecoq, e a experimentação das potencialidades da palavra, ora como provocadora de sentidos, ora como matéria porosa, de forma a corporificar tais dinâmicas, ou seja, sentir a sensação para ativá-la em corpo/voz no jogo literário.

O exercício da docência é aqui investigado mais como gesto do que uma experiência teórica ou intelectual de ensino /aprendizagem. Interessa-me ativar o gesto, criando condições para que ganhe expressividade e forma, não sendo apenas resultado de um contexto, mas possibilidade de novos. Como um(a) professor(a) ocupa seu espaço? Como sua presença age ou não age? Qual a força do gesto numa pedagogia?

Neste artigo parto das seguintes questões: como é possível que um pano traga tanta vida? O gesto representa mais que a palavra? Cansado de atores declamadores de texto foi Jacques Copeau, o principal interlocutor deste texto, que parece ter começado, na tradição do teatro francês, a cobrir o rosto de atores e atrizes com um lenço.

Neste texto caminho pela cidade que habito para pensar o deslocamento entendido como um modo de estudo, e o caminhar como modo de pesquisa, que vive a cidade. E também modos andarilhos de habitar e pensar o espaço.

Neste texto, junto a pesquisadora Amanda Leite, escrevemos para a Revista Transnacionales (México). No artigo pensamos como a performance modifica o conhecimento, ela não é simplesmente um meio de comunicar algo, mas de marcar algo. Interpretar expressões para criar um evento performático e gerar uma experiência, uma situação de aprendizagem torna-se foco/ objetivo da investigação. Esta reflexão é um desdobramento dos resultados de duas pesquisas de doutorado realizadas em Educação na Universidade Federal de Santa Catarina. Aqui jogamos com a performance fotográfica da personagem Dona Passa para problematizar o gesto. Lampejos de pensamentos fazem com que a fotonarrativa revele o corpo na/da história. Ainda que a captura se dê pelo olho, pelo dedo e pelo botão da câmera, a imagem passa por todo o corpo, atravessa e inunda o gesto da fotógrafa e da atriz.

Este texto arrisca pensar uma dimensão ética, entendida como modo de vida, como modo de existência dado na política de relações que experimentamos. Spinoza e Deleuze são afetos que norteiam um pequeno percurso filosófico concatenando corpo, alegria e potência de agir numa dimensão ética da educação. Aqui já não podemos nos amarrar mais a nenhum discurso salvacionista para a educação, a nenhum futuro que nos permita experimentar a alegria. Defende-se ativar nossas potências agora.

Como fazer da própria escrita uma paixão? Perco-me. A escrita, não como uma potência exercida sobre uma paixão, mas a força de uma paixão. Afinal, quem escreve constrói um pensamento ou é construído por ele? À medida que escrevemos entramos em contato com forças e, na medida em que sofremos suas ações, um sentido singularizado torna-se escrita. A paixão aqui neste texto é pensar modos de escrita agenciados a... paixão, amizade, andarilhagem e... como sequência suplementar para uma escrita pós uma verdade... Que modos são estes? Modos de vida, estudo, pesquisa e existência.

Aqui sigo uma potente perspectiva spinozista que nos incita a problematizar a prática docente a partir de linhas de fuga ao Maior e seus derivados mais ardilosos: os preconceitos. Texto URGENTE aos nossos dias.

Este artigo se propõe exercitar entre lugares a partir de uma experiência em Teatro–dança com alunos do Ensino Médio integrado ao curso técnico de telecomunicações do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), no Campus São José. Trata-se de um projeto de pesquisa e extensão intitulado: Corpos Teleperformáticos, realizado no ano de 2012/1013. Para tanto, a relação com as mídias e as tecnologias da informação é posta em deriva a partir da seguinte questão disparadora: Como a cultura digital abre possibilidades inventivas no ensino de teatro? Nesta concatenação de afetos procurei trabalhar noções de bom e mau, real e virtual encontradas nos discursos sobre a mídia e educação e pensar possibilidades inventivas para o ensino de teatro na relação criativa com as mídias a partir de uma aula acontecimental, que busca produzir singularidades e fugir dos modelos interpretativos.

Estou aprendendo a correr descalça. É toda uma nova experiência. Os pés não estão protegidos. Ao contrário, estão naturalmente exposto às texturas, o que me ajuda a perceber os desníveis e as nuances do solo. É uma experiência totalmente diferente de correr com os pés protegidos pelo calçado. Assim, descalça, escrevo para os/as professores/as da Educação Infantil. Torno-me carta para pensar a formação de professores/as a partir de pensamentos descalços. Ou seja, pensamentos que não estão protegidos por nenhum envoltório conceitual fechado, mas, que pelo contrário, estão abertos ao contato, ao risco.

Neste texto junto aos pesquisadores do Grupo Transver (UFT) participamos da Seção Visualidades da Revista Observatório de Abril de 2018. Olhar, pensar e sentir a cidade sempre foi importante e na atualidade torna-se uma necessidade. O presente estudo busca promover uma breve discussão sobre prática artística como estratégia para perceber o espaço urbano da cidade de Palmas como lugar de intervenção e pesquisa. A percepção de transparências são os resultados da performance-instalação intitulada “Na rotatória tem encruzilhada”, organizada pelo grupo de pesquisa Transver.

Proponho que eu fale. Então deveria deixar clara minha identidade. Eu disse identidade? Uma espécie de fundo? Sim! Aquela parte onde exerço um controle ativo de tudo. Não encontro! Algo estranho acontece comigo neste estudo. O Eu está desfalecendo, está desfigurado. Noto que derreto. Meu rosto já derreteu. Então, já perdi o rosto, o rosto sempre se perde, nele não é possível chegar, mas a máquina abstrata sempre atravessa o rosto, seleciona rostos, mas ao rosto não se chega e nunca se chegará. Ter um rosto é necessário para que a experiência aconteça? Ter um Eu é necessário para que a experiência seja possível? Este eu deveria sustentar uma verdade íntegra e imutável? A identidade é necessária? Um Eu senhor de si mesmo, consciente, autônomo, centrado em si representando e testemunhando um mundo por meio da razão desconfiado da vida, derrete!

Existem estudos com roteiros prontos, destinos traçados e às vezes já cheios de experiências previstas. Nestes quem estuda está seguro na sua caminhada. Outros estudos são forçados a buscar outros lugares, tornam-se refugiados, exilados e emigrantes já que o lugar de origem é insustentável. Neste sentido, tem me interessado pensar em estudos andarilhos.Quais seus roteiros? Que segurança e estabilidade experimentam quando não encontram parada em apenas um lugar?

Cartepostalizar a cidade é escrever em estado de desvio “pois é justamente a carta desviada que nos ocupa, aquela cujo trajeto foi alongado” (DERRIDA, 2007, p. 484). Alongar e fazer circular cartões-postais é esperar por respostas que, quem sabe, venham, quem sabe não. Em originário estado de desvio, os postais saem de Palmas e são lançados ao vento da errância. Derrida (2007), insiste que é “por poder sofrer um desvio que ela [carta/cartão–postal] tem um trajeto que lhe é próprio” (DERRIDA, 2007, p. 484 – observação nossa). Estamos enviando fragmentos de imagens e imprecisões da cidade de Palmas, capital do Tocantins, como pedaços de singularidades. Estes detalhes estão destinados mais a errância em uma revista on-line do que uma destinação. Seriam legíveis a qualquer um?

Partindo da premissa que uma das principais maneiras que o ser humano teria de manifestar, comunicar e até mesmo compreender a experiência seria colocá-la sob a forma de narrativa, este estudo, fruto de mais de quinze anos de trabalho em torna da construção de uma personagem contadora de histórias, compreende que para conhecer uma cultura, as narrativas são uma possibilidade riquíssima não só em termos de conteúdo, mas também pela poética do gesto. Mas, como contá-las?

É possível uma aula não impedir a imprevisibilidade? Como pensar aula em relação com a vida? As “intempestivas” provocações do professor Friedrich Nietzsche, a principal referência teórica neste ensaio, provocam o esboço de tais pensamentos em torno da aula. Quais as mentiras que as aulas não contam? Aqui o desejo pela retomada da criação como força propulsora da educação é articulado. Eis o mundo verdadeiro: mais uma fábula.

Neste texto escrevo sobre a amizade, ela é ponto de partida para a criação de um espetáculo de contação de histórias que, por sua vez, desdobra-se em aula-espetáculo circulando nos centros de Educação de Jovens e Adultos do município de Florianópolis. Seo Nêo, Dona Passa, Luciana Hartamnn, Zigmam Bauman, Paul Zunthor, Gilca Girardello e nome do orientador são também os personagens desta história que procura compreender função poética e pedagogia bem como as interlocuções entre pesquisa, pós graduação e educação básica. Aqui não está em questão procurar colocar um a serviço de outro, mas, quem sabe, aprenderem-se. A arte pensa, aprende, ensina de outras formas. Essas outras formas por si só são pedagógicas? “Naturalmente” a relação entre arte e educação, sério e não sério, realidade e ficção foram experiências de dicotomia nas trajetórias escolares. Para Barthes (1996) a oposição parece ser pertinente apenas do ponto de vista da linguagem já que coloca frente a frente lugares diferente de fala. Mas isto não significa que tenham valorações diferentes para conhecer, pensar o mundo. 

Ando misturada. Ler a ética de Baruch de Spinoza ao mesmo tempo em que me dedico ao estudo do teatro físico e mímica contemporânea tem produzido certo impulso de entendimento sobre corpo e mente. Como se pensa o corpo? Como esta questão pode ser vista do ponto de vista do corpo do/a ator/atriz? Como esta discussão contamina o campo da pedagogia teatral na qual, muitas vezes, inspirados por tantos diretores–pedagogos afirmamos que só podemos sentir algo na medida em que esta coisa sentida se transformar em corpo?

Gostaria de partilhar um estudo em torno de uma dimensão alegre entendida como modo de vida, modo de existência dado na política de relações que experimentamos. A esfera educacional, melhor dito, as instituições de ensino, podem ser espaços convidativos para o ressentimento, a desistência e a reclamação quando percebemos que burocracias, prazos, políticas, normativas e relações pouco ou nada potencializadoras nos solapam.... Enfrentamos também aquele peso do Dever presente nos discursos educativos salvacionistas. Então, se esse texto não se propõe ressentido e nem sobre uma saída salvacionista não poderei insistir numa provocação que pensa a educação a partir de uma etiqueta feliz, um conjunto de normas e preceitos morais. Ao contrário, vou arriscar pensar uma razão alegre para afirmar a educação a partir de uma tese: Mimagens da docência: a escuta do corpo, defendida em 2016 no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina.

Partindo da premissa que uma das principais maneiras que o ser humano teria de manifestar, comunicar e até mesmo compreender a experiência seria colocá-la sob a forma de narrativa, este estudo, fruto de mais de quinze anos de trabalho em torna da construção de uma personagem contadora de histórias, compreende que para conhecer uma cultura, as narrativas são uma possibilidade riquíssima não só em termos de conteúdo mas também pela poética do gesto. Mas, como contá-las? 

O que é fazer pesquisa em Educação num campo cuja singularidade é um atravessamento de linhas, forças e escritas? Movemo-nos aqui entre disciplinas, gêneros, conceitos, fronteiras e regiões para pensar a educação por outros modos. A composição de ensaios aqui agenciados foge do fixo e se desenha no entrelugar, no encontro com o diferente.
Seria este também um modo de pensar a Educação?

Os textos deste dossiê percorrem as linhas escriturais afrontam territórios e situações indômitas, pois parecem radicalizar qualquer projeto de real e desconfiam daqueles que se dizem possuidores de um caminho privilegiado do que seja o sujeito da verdade. Sujeito, subjetividade moderna não podem mais ser exemplos soberbos ou noções arquetípicas de empreendimentos do conhecimento ou mesmo o traço predominante do que seja pensar. Convidamos o leitor/leitora a entrar nesse campo platô e fazer da leitura uma aventura de criação; e se entrar na chuva com guarda-chuvas protetores, deve saber que eles podem a qualquer momento ser quebrados e a proteção ser desfeita, mas nem por isso a aventura pode acabar…vamos entrar?

Estamos em processo. Neste texto a encenadora e a atriz conversam sobre seu processo criativo em torno da montagem de um solo. Falaremos do corpo, de como é ser professora, atriz, encenadora e pesquisadoras em gerúndio cênico. A pesquisa tem como eixo a improvisação performático-teatral bem como a força deste encontro, dos afetos que potencializam a força de fora e dentro, dada nas provocações que uma faz a outra, tal como uma banda de moebius. No percurso, encontramos a força do corpo, a imagem, a respiração e a duração no ato artístico.

Roland Barthes me perguntou se nunca me aconteceu ler levantando a cabeça, pergunta que antecedeu mais um dos inúmeros movimentos corporais de interrupção da leitura, que, ao contrário do que possa parecer, não movimentou desinteresse, mas excitação. O que acontece neste momento? Assim tem sido para eu ler textos de Barthes. Uma ginástica corporal. Um levantar, sentar, suspirar. Ele me dispara, dissemina desejos que eu não conheceria se não o lesse. Agora, por último, quero encenar e dançar a sua deriva.

Pensar com imagens. Debater problemas sociais sem o uso da palavra. É possível fazer acontecer uma aprendizagem significativa a partir da comunicação corporal? Um grupo de quarenta professoras em nível de pós-graduação foi convidado a conhecer a poética do teatro do oprimido do teatrólogo brasileiro Augusto Boal e o potencial do teatro como linguagem e discurso na escola. Qual a pertinência do teatro, da educação estética como parte da formação básica para o professor na América Latina? Este artigo provoca superar a obliteração dos sentidos e a atrofia de outras formas de percepção (Boal, 2005) e uma comunicação estritamente dada pela palavra na formação básica do professor. Faz um convite: como desenvolver outras formas sensitivas na formação dos professores?

O que pode o corpo de uma professora de teatro? Seguindo o paralelismo afetivo (mente/ corpo) spinozista, essa tese quer ―provar‖ o saber pelo qual as coisas passam pela capacidade de afetar e ser afetado. Essa lógica promove os ―encontros‖ da pesquisa: com a atriz, com o mímico, com o palhaço e com a encenadora. Tais encontros levaram ao que procuramos caracterizar, em chave de diferença com o senso comum, como ―uma política da amizade‖. A escrita tenta dramatizar os eventos pela articulação de pensadores da filosofia da diferença com pensadores de uma pedagogia do teatro: Artaud, Lecoq, Barba, Burnier, Copeau, entre outros. Os relatos se tornam índices de singularidade. O que pode a escrita da vida? Análogos à dramaturgia, esses relatos são divididos em atos, cenas (dinamismos espaços-temporais) e estudos (ideias–força). Os dramas da pesquisa querem, assim, torcer a ideia da docência, gerando dados, ao invés de coletá-los; pensando modos de se fazer, no lugar de moldes a serem reproduzidos. Formam-se, à guisa de conclusão, ―mimagens‖ da docência: escuta do corpo.

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